sábado, julho 17, 2010

Seminário sobre qualidade de dados espaciais no Brasil

Nada como participar de seminários nacionais para poder 'localizar' o GIS no Brasil. Fui no dia 8 de junho no Seminário de Qualidade de Dados Espaciais no Brasil, promovido pela revista MundoGeo.
Apesar de o tema ser a qualidade dos dados espaciais o seminário abordou muito mais que isso apresentando os principais players de GIS no país. Dentre as apresentações mais importantes quero destacar.

PARCEIRO TELEATLAS
Na parte de manhã o mais interessante foi de Felipe Seabra da Digibase. Ele mostrou que há um bom mercado para comercialização de imagens satélite e mapas. O ponto interessante foi sobrea rapidez com que dados de rota do trecho sul do Rodoanel foi liberado. Este foi na parte da manhã que teve bastante do mesmo (empresas de mapeamento falando de suas soluções).

EXÉRCITO E GIS
A parte da tarde já foi  bastante mais interessante, ela começou com o Coronel Omar Antonio Lunardi falando sobre o INDE (Infra-estrutura Nacional de Dados Espaciais) que discursou sobre os padrões que o governo brasileiro vem definindo para melhor avaliar a qualidade de projetos GIS. A proposta da MundoGeo para o evento eram apresentações curtas de aproximadamente 10 minutos com bastante tempo para debate e perguntas. Essa regra foi totalmente ignorada pelo Coronel, e só a sua apresentação durou todo o tempo disponível da 1a sessão da tarde, entretanto foi extremamente interessante e para pessoas que gostam da parte técnica (como eu), foi de grande valia.
Tentarei falar sobre o INDE neste blog futuramente.

ESTRADA REAL
Em seguida uma sessão com o projeto SitGeo da Estrada Real. Um projeto notoriamente alinhado com as principais tendências de mapas temáticos no mundo voltado para incentivar o turismo pela Estrada Real. A estrada real era principalmente o caminho que ligava Parati no Rio a Ouro Preto, o projeto com apoio da FIEMG criou mapas usando overlays sobre o GoogleMaps com os principais pontos de interesse da estrada, melhores hotéis, onde comer e o que ver. Além disso eles mapearam trilhas na mata, estradas de terra que fazem a viagem do usuário do sistema mais interessante. E agora eles pretendem ter uma maior iteração permitindo que os usuários também contribuam com opiniões e até novas trilhas para o sistema, funcionalidade importantíssima hoje em dia.

GRANDES PLAYERS DE GIS
A terceira sessão contou com ótima explanação sobre o mercado de GIS feito por representates da AMS Kepler e da Surface Real World Models. A AMS Kepler foi apresentada por Antonio Machado que falou sobre a AMS Kepler. Após a apresentação conversando com Antonio
ele me disse que em 1998 trabalhou na IBM no projeto que diziam que dominaria o mundo, que infelizmente não foi pra frente, falarei mais sobre ele em um post futuro.
O Manoel Ortiz da Surface mostrou que já temos base de dados muito boas sobre algumas regiões (principalmente de São Paulo). Ele falou também da forma de disponibilização dos dados e enfatizou a atual empreitada da ESRI com a nova versão do ArcGIS 10 onde eles criaram uma imensa infra estrutura para o ArcGIS Online.

GRAND FINALE
Até a última sessão o evento tinha sido muito bom, com diversas visões do mercado e informações de grande valor. Mas a última sessão foi extraordinária, vou pular a primeira palestra pois é a mais impressionante. A segunda foi de Rafael Siqueira CTO da LBS local da MapLink + Apontador, foi uma palestra muito dinâmica mostrando todo o potencial de localização na Web 3.0. A ideia principal atualmente não é onde estamos mais onde temos estado, assim traçamos melhor o perfil dos usuários e provemos melhores soluções. Um ponto muito chamativo foi quando ele mostrou a página principal Apontador em 2000, ele era muito parecido com o que é o GoogleMaps hoje!!! Isso é incrível e mostra como o poder de marketing de uma empresa pode ofuscar a nossa percepção do quanto eles são inovadores. Aposto que em qualquer pesquisa se perguntar quem começou com mapas na web provavelmente 99% vão responder que foi o Google, e mais acredito que ninguém diga que em 2000 tinhamos uma empresa tão desenvolvida em GIS como o MapLink e apontador.

Em seguida subiu Renato da Silva Lima da Unifei (Universidade Federal de Itajubá) que falou sobre o projeto Track Source, conhecida fonte colaborativa de mapas rodoviários. O Track Source não é uma novidade tão grande, nem mesmo a criação de mapas colaborativos, mas a palestra foi mesmo interessante por causa não só da forma que Renato da Silva Lima fez sua apresentação (a piadinha de que Itajubá está tão longe quanto Cumbica foi sensacional) mas também do relato de sua experiência em GIS.
Ele começou com uma iniciação científica em 1993, e o principal problema foi mapear as ruas de São Carlos. A forma que ele descreve esse processo é excelente e no final como todo o trabalho foi perdido dada a obsolecência rápida de mapas rodoviários devido a criação de novas ruas ou novos sentidos de trânsito também foi muito bom.

Mas voltemos para falar da melhor apresentação. Foi de Patrícia Azevedo que começou falando que estava nervosa pois quando começou a ouvir sobre precisão e acurácia de mapas, sobre o INDE (que ela diz não ter entendido nada) e etc ela achou que o que ela tinha a falar era muito simples comparado a tudo aquilo. Então ela começou a descrever sobre o projeto da Rede Jovem. A Rede Jovem criou o WikiMapa, que é um projeto que permite pessoas que moram em favelas mapearem os pontos de interesse da comunidade e disponibilizarem no Google Earth. Isso tem tamanhas consequencias que motivam e enobrecem o trabalho da Rede Jovem. O WikiMapa inclui os jovens das favelas no mundo digital, e não incluem fazendo coisas banais, eles as incluem as permitindo fazerem coisas fascinantes como redes sociais integradas com localização. O que a Patrícia cria na Rede Jovem com o WikiMapa é (roubando as palavras ditas por Renato da Silva Lima da Unifei) no mínimo apaixonante. Acessem o site deles www.wikimapa.org.br e vejam que trabalho sensacional.

EM RESUMO
Conferências locais são importantes fatores de integração e sustentação do ecossistema de GIS fazendo as pessoas se 'conectarem' , verem o que já é ou não é feito no país. Parabéns a MundoGeo pelo evento, assim localizamos bem o GIS no Brasil.

Um comentário:

Luiz Amadeu Coutinho disse...

Infelizmente não pude ir ao Seminário porque estou fora do Brasil, mas pelo que contou, perdi muita coisa.

Obrigado por compartilhar sua visão do evento.

Parabens pelo Blog.

Ja está nos meus Geolinks

Luiz Amadeu
http://geoinformacaonline.com